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A vida de Cervantes em Portugal

Arte

Após cinco anos de construção e um investimento de 20 milhões de euros, mais que cam4, o Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT) abriu suas portas na capital de Portugal e se transformou em uma referência mundial da arquitetura.

Depois de tentar fugir da prisão, pelo menos, três vezes, Miguel de Cervantes quis virar a página daquela escura etapa argelina e se plantou em Lisboa para conquistar os favores do rei Filipe II, quando a Corte havia se mudado para Portugal. Entre Tomar e a capital passaram pelo menos seis meses de sua vida… e, muito provavelmente, mais, embora um halo de escuridão envolve aqueles anos ibéricas, entre 1580 e 1582.

Oportunidade para rever um clássico

Para tentar lançar luz sobre as trevas, o Instituto Cervantes de Lisboa organiza umas adequadas jornadas sob o título de “Cervantes e Portugal: História, arte e literatura”. Dois dias, 28 e 29 de novembro, nas mãos de especialistas que se afanarán em explicar o contexto que encontrou o autor ao cruzar a fronteira.

O diretor da instituição, Javier Rioyo, abrirá o congresso, coordenado pelo presidente da Associação de Cervantistas, José Manuel Lucía Megías, e o pesquisador Aurelio Vargas Díaz-Toledo, da Universidade do Porto. As sessões se desenvolvem na Biblioteca Nacional de Portugal, onde as dissertações enmarcarán igualmente a presença na época do Duque de Alba e as circunstâncias da Inquisição portuguesa.

O professor da Universidade de Extremadura, Miguel Ángel Teijeiro mergulhar nas três amigos portuguesas que teve dom Miguel: Francisco de Aguiar, os irmãos Sousa Coutinho e o dr. Antonio de Sosa. O responsável máximo do Instituto Cervantes de Lisboa recorda, em declarações à ABC, que o escritor “chegou a Portugal com uma recomendação debaixo do braço”. De acordo com suas palavras, desembarcou em uma cidade “que lhe fascinou porque estava no auge, depois de ter sofrido uma epidemia de peste”.

Javier Rioyo acrescenta: “acredita-se que residiu na zona de Campo das Cebolas, em Lisboa, ainda há muitas incertezas no ar. Mas os cervantistas acreditam que ainda têm de sair à luz de documentos inéditos que esclareçam todas essas circunstâncias”.

Portugal e Espanha, países vizinhos e amigos

Não se pode esquecer que a capital portuguesa viveu um devastador terremoto em 1755, que destruiu diversos arquivos locais. Daí que seja tão difícil precisar os acontecimentos que marcaram o devir de Cervantes.

A sua figura não tardou a adquirir grandes dimensões em Portugal, e hoje a editora mais importante do país vizinho tem o significativo nome de Dom Quixote.

Além disso, podem estabelecer alguns paralelos entre Camões e ele, tal qual disecciona o ensaísta brasileiro Osvaldo Orico, em seu livro “Camões e Cervantes”. De forma paralela, pode-se visitar uma exposição com ilustrações para o Livro assinadas por Júlio Pomar, verdadeiro mito vivo da pintura portuguesa, com seus 90 anos.

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