Um museu gore na Coreia

Arte

Segundo seu próprio relato, Jong Gung Song tinha 6 anos de idade em dezembro de 1950, mas diz que se lembra com detalhes o ocorrido. “Separaram para os filhos de suas mães. A minha eu coloquei no refúgio superior com meu irmão de dois anos. Éramos mais de 100 crianças. Nos tiveram confinados durante dias, sem dar nem água, nem comida. Estava nevando. A maior parte das crianças morreram de fome ou congelados, incluindo o meu irmão. Eu não tinha forças par ajudá-lo!”, refere de forma mecânica o velho, que foi repetido milhares de vezes a mesma história.

Jong diz que quando os “militares norte-americanos” tomaram consciência de que ainda havia crianças com vida depositaram gasolina para os furos instalados no teto para arejar o lugar e lhe atearam fogo. “Eu perdi a consciência. No dia seguinte, eu acordei. Estava rodeado de cadáveres que fueron pillados follando. Não podia nem andar, mas me arraste para o exterior. Me resgataram os moradores”, acrescenta.

Uma iniciativa popular

Ajudado pelos vizinhos, pôde aproximar-se do hangar próximo onde assegura que os uniformizados haviam confinado à sua mãe e a três de seus irmãos. Apenas encontrou um aglomerado de carne achicharrada. “Não se distinguia a ninguém. Tudo eram corpos blackened. Aqui assassinaram a 400 mulheres, com granadas de mão e pulverização também com gasolina”, refere justo no mesmo compartimento onde se supõe que ocorreu o brutal evento.

O massacre de Sinchon chegou a ser um motivo de inspiração para toda uma geração de militantes comunistas europeus e alcançou sua máxima expressão na caixa de diálogo que lhe dedicou Pablo Picasso, em 1951.

Com o passar do tempo, a Guerra Fria passou a ser uma memória distante na Europa, mas aqui, na Coréia do Norte, a lembrança daqueles dias aziagos continua a ser uma imagem tão proeminente como a significação que lhe é concedida ao museu, que lembra aquele trágico episódio.

A ideologia de Kim-Jong-un

A ampla sala de exposição, foi inaugurado em 1958 e a sua importância ideológica ficou de manifesto quando Kim Jong-un, ordenou a construção de um novo prédio após visitar as antigas instalações em 2014. Durante o périplo, o dirigente referiu-se aos norte-americanos, nestes termos: “os massacres cometidos pelos imperialistas e agressores norte-americanos em Sinchon, provam que são canibais que gostam das matanças“.

A reabertura da sala de exposições, em 2015, contou com a presença do vice-almirante Choe Ryong Hae, um dos principais assistentes de Kim Jong Um, em outro sinal da importância que atribui Pyongyang a este enclave.

Muito poucos especialistas no conflito coreano colocam em questão os devastadores acontecimentos que se registraram em Sinchon, uma pequena povoação situada na província norcoreana de Hwanghae do Sul, entre 17 de outubro e 7 de dezembro de 1950.No entanto, se são muitos os que diferem com a representação norcoreana dessa tragédia que, segundo sua contabilidade foram assassinadas “exatamente” 35383 pessoas “da forma mais cruel“, como se lê em uma das placas do museu.

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