A singularidade do centro Pompidou

Arte

A morte de John Berger perto de Paris eu sempre pego meditando sobre os quarenta anos do Pompidou, a colossal estrutura de fachada impensável até então. Foi concebido pelos arquitetos Renzo Piano e Richard Rogers para dar a volta à ideia de museu e transformá-lo na primeira catedral do turismo cultural de massa incipiente. Berger e sua equipe tinham conseguido transmitir um pouco antes, em 1972, a série da BBC Maneiras de olhar porno gratis. A televisão e a arquitetura concordaram em ressaltar uma chave dos tempos: os meios de comunicação de massa tinham alterado de maneira fundamental a percepção da arte. Era hora de dar-se conta de que vivíamos em um mundo de imagens: a arte é mais um, de sua hierarquia está em questão desde então.

O Pompidou abriu o dia 31 de janeiro de 1977, após uma longa e complexa história de desencontros entre políticos, gestores e analistas culturais. Leva o nome do presidente, que o mandou construir, no coração do antigo mercado de abastos de Les Halles, mas que não o veria nascer: ele morreu antes e que o inaugurou seu sucessor Chirac. Acostumados hoje a ver surgir museus e centros de arte mastodónticos, em uma pequena cidade no final dos anos noventa espanhóis ou no Uzbequistão, mais recentemente, pode custar imaginar o que implicou o Pompidou.

Videojogos como cultura?

Cultura

Edward Vaizey acredita que os videogames são arte. No lado dessa polêmica que pouco a pouco vai cedendo terreno para os defensores dessa indústria cultural, Vaizey desempenhou um papel fundamental no seu reconhecimento criativo como Ministro da Cultura, Comunicações e Indústrias Criativas na Inglaterra de 2010 a 2016. A ele se deve, por exemplo, que os BAFTA premien ao jogo com uma gala tão glamoroso e voltada para os criadores, como ocorre no cinema. A ele se deve também uma constante luta para o florescimento de uma indústria independente em seu país.

A vida de Cervantes em Portugal

Arte

Após cinco anos de construção e um investimento de 20 milhões de euros, mais que cam4, o Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT) abriu suas portas na capital de Portugal e se transformou em uma referência mundial da arquitetura.

Depois de tentar fugir da prisão, pelo menos, três vezes, Miguel de Cervantes quis virar a página daquela escura etapa argelina e se plantou em Lisboa para conquistar os favores do rei Filipe II, quando a Corte havia se mudado para Portugal. Entre Tomar e a capital passaram pelo menos seis meses de sua vida… e, muito provavelmente, mais, embora um halo de escuridão envolve aqueles anos ibéricas, entre 1580 e 1582.

Santiago Calatrava, do céu ao inferno

Arquitetura

Não deixa de ser paradoxal que o arquiteto português mais popular e internacional, terminar-se tornado o símbolo do pelotazo arquitetônico. Em menos de três décadas, Santiago Calatrava (Benimámet, Lisboa, 1951) passou de ser o promissor novo Gaudí, a concretizar, no imaginário popular, a irresponsabilidade profissional e a ética questionável: alguém que atrasa as suas entregas, cujos pressupostos são multiplicados sistematicamente —até por cinco— e que comete uma e outra vez o mesmo erro na construção de pontes escorregadios ou mecanismos móveis que, após um pagamento milionário, acabam imobilizados.